The Handmaid's Tale e o seu devido impacto sobre homens e mulheres
- 24 de jul. de 2018
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Pra você que não conhece, é uma grande adição ao seu catálogo pessoal, e pra você que já conhece mas nunca viu a série por esse lado, procure observar as mensagens importantes que não só essa, mas outras produções tem a passar e adicionar a sociedade, a comunidade global agradece.
É visível que o serviço de streaming Netflix tem a alcunha de queridinho do mundo já faz um bom tempo, porém, com o seu crescimento e demanda, muitos outros serviços começaram a proliferar no meio de tanta demanda por conteúdo audiovisual não só audiovisual, mas também original. Dentro de toda esse impulsionamento, o também pioneiro mas não tão conhecido aqui no Brasil, Hulu (ou esteticamente hulu), criado em 2007 por parcerias de grandes estúdios como Fox e Walt Disney Company, começou a investir em produções originais em 2012, mas só no início de 2017 o seu maior sucesso veio ao ainda seleto mas futuro grande público, a série original hulu em parceria com os estúdios MGM, The Handmaid's Tale.

A série baseada no livro homônimo de 1985 e de teor crítico indireto, aborda um futuro distópico onde um regime fundamentalista mata o presidente e grande parte do congresso dos Estados Unidos em um ataque terrorista, assumindo assim, o poder absoluto sobre o país e o governando sobre a premissa de reconstrução cristã, onde os "Filhos de Jacó", através de um regime totalitário, busca reerguer e criar uma nova ordem. As mulheres não tem poder de fala ou imposição, têm seus bens confiscados, são tratadas como algo abaixo do ser humano (uma vez que os homens são os governantes absolutos dessa sociedade), não podem nem mesmo ler e algumas são pegas para formação de um grupo seleto por serem férteis, já que dentro dessa ficção a esterilidade é algo comum devido a poluição e doenças sexualmente transmissíveis, fazendo assim, com que a taxa de natalidade caia absurdamente.
Acompanhamos a trajetória de Offred, que originalmente se chama June Osborne, mas é renomeada para viver na nova sociedade em que foi forçadamente inserida após ser capturada em uma tentativa de fuga para o Canadá com sua filha e marido, já que o cerco se aperta em seu recrutamento para o círculo vermelho (lugar onde as mulheres são doutrinadas e treinadas para viverem em Gilead e exercerem seus papéis como servas), por ser reconhecida como uma mulher fértil, tem o seu "valor" reconhecido pelo governo de Gilead e imposta a uma nova realidade. O nome Offred nada mais é do que em sua literalidade "Of Fred", já que a partir do momento que ela é designada a uma família, pertence ao seu senhor. June é atribuída a casa do Comandante Fred Waterford e Serena Joy Waterford, Fred é dissimulado e misterioso, além de sempre demonstrar o seu poder sobre a sua serva, já Serena, é extremamente pragmática e direta em seus diálogos, fazendo com que Offred tenha restrições de fala e ações, com receio de que possam leva-la a morte.
A série em questão tem um grande peso para todos os públicos e isso é notável, já que não tem um nicho específico e restrito, tendo em sua base a discussão de igualdade entre os gêneros e fazendo com que a sociedade em geral se enxergue e discuta os seus erros expostos que nem sempre são levados em conta, já que a sociedade julga se policiar contra preconceitos e desigualdades em geral, mas vemos que não é bem assim. The Handmaid's Tale traz uma bagagem realista e crítica, coberta por luzes e ficção, fazendo assim com que seja acessível a qualquer pessoa, seja homem ou mulher, porém, o público masculino pensante, tende a pensar em como a sociedade atual já se encontra nessa suposta distopia, já que mulheres lutam todo tempo e em todos os meios contra a desigualdade imposta pela sociedade desde os tempos antigos, é comum ver discussões em grupos especializados sobre a série o quanto é significativa a representação da realidade de gêneros. Por exemplo:O silêncio que Offred precisa ter é reflexo do silêncio e educação que mulheres precisam ter perante o homem, precisa também se manter em um padrão de educação e submissão impostos, assim como a sua vestimenta. Tirar a vaidade, nome e cultura de uma mulher faz com que ela seja ninguém, até mesmo a resistência e espirito de luta se esvaem quando não se sabe quem é, e é isso que acontece na série, pois quando perdem tudo, desistem de ir contra o sistema e são engolidas por ele, tendo a realidade em paralelo, podemos observar que isso acontece com frequência, já que nem todas as mulheres defendem seus direitos por comodismo ou desistência de seus ideais por cansaço de uma luta que nem sempre avança com facilidade.
O medo e a percepção de que esse mundo ainda é dos homens, que os homens ainda veem as mulheres como espécie inferior, cria debates necessários e choques de realidade precisos, tendo em vista que se o direito de voz não for dado assim como o espaço adequado para mulheres, a tendência é que a marginalização seja algo comum. Então observar o impacto da sociedade contra o impacto que a obra traz, é importante em questão de que o questionamento sobre realidade e ficção é valido, já que um futuro distopico nem sempre é distopico de verdade, apenas nada mais é do que uma emulação aumentada da realidade em que vivemos, ver lideres de potencias mundiais com atitudes machistas, subjugando mulheres e sendo idolatrados e bem recebidos de qualquer forma, levanta questões e dúvidas sobre a nossa suposta índole geral, já que primeiramente os nossos governantes deveriam ser o espelho da sociedade para que pudessem melhorar a mesma.

É palpável e visível o déficit de atenção que os meios de comunicação tem em relação aos direitos das mulheres, O Conto da Aia (tradução do português), vem de forma arrebatadora e inquietante mostrando, dizendo e até mesmo gritando, tudo que as mulheres sentem sobre os abusos que andam sofrendo e impactando outras mulheres para que façam a mesma coisa, se conscientizem sobre o que são e o que podem representar, sendo mais do que apenas maquinas de reprodução. Mas não só as mulheres, já que "os vilões" da série têm homens em seus papéis, é urgente o policiamento da população masculina sobre o que é dito, feito e exposto, criando assim, uma autorreflexão sobre empatia que nunca é praticada com a causa feminina.
The Handmaid's Tale conta com 2 temporadas e já é um sucesso mundial, sendo ganhadora de prêmios como Emmy e Globo de Ouro.
Obrigado a minha amiga Luciana Muniz, sem ela esse texto não teria a voz feminina necessária, já que não cabe a um homem dizer o que a causa feminina sente.







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